segunda-feira, 21 de junho de 2010

My shit's fucked up(1)




"Seu pai levaria mais 10 anos para dizer: "Meu filho tinha um gênio único, que ele expressava sem compromisso""

Essa foi uma das últimas frases narradas por Johnny Depp em "When you're strange: A film about The Doors" referindo-se ao pai dele e, apesar do filme contar de uma forma intensamente poética a tragetória de The Doors, foi a que mais me marcou.
Apesar de nunca ter sido um leitor assíduo, desde que li o primeiro livro dos "Harry Potter" eu vi um pouco do quanto poderia ser prazeroso ler um livro. Não sei porque nos tempos de ensino fundamental e médio eu não adquiri mais livros. Talvez tenha sido pela metodologia insana e sufocante aplicada pelo colégio que estudei, assim como por outros.
No começo do ano lhes dão uma lista dos livros que você terá que ler no ano. Acho que essa meta predefinida já sugava as energias da maioria em relação ao desejo de abrir um livro e descobrir o que tem dentro. Você começa o ano depois de dois ou três meses parado para voltar à rotina autoritária da escola e já existe uma voz autoritária dizendo o que você vai ler. Pode ser um livro que foda com sua cabeça e mude seus conceitos drasticamente, mas você deve ler e após isso você deve explicar toda merda tava passando na cabeça do autor para ele ter escrito aquela maluquisse toda e ainda o porquê do modo de escrita.
Não estou aqui menosprezando as vantagens de analisar um autor brilhante, assim como o período histórico e o que o motivou a escrever. Estou questionando a maneira como vem sendo feito. A maneira grosseira de introduzir pessoas a novas realidades. Como eu posso viajar para uma nova cidade estando muito doente, cansado ou simplesmente sem vontade? Já tive que viajar nessas condições e sei que, pelo menos para mim, não dá para aproveitar e absorver muita coisa daquilo. Não do jeito que seria se tivesse sido feito em outras ocasiões. É como quando querem te apresentar alguém e você quer conversar com outra pessoa, ou simplesmente com ninguém.
A iniciativa da leitura deve vir espontânea(-)mente, como uma viagem. Você está com vontade de conhecer novos horizontes (Você quer ir para outro lugar, até se esconder ou se perder), então você procura qual vai te fascinar mais (procura aonde quer chegar, que área quer conhecer profundamente), você compra a passagem pela internet e espera ela chegar (adquire o papel pensando no dia mais adequado para o embarque). E então chega a hora de enfrentar essa nova realidade. A espera tornou esse momento até mais prazeroso. E, ao fim, tendo sido bom ou ruim, você sabe que pulou de cabeça onde queria e já pode dizer por si só qual será o próximo destino.
A alguns meses eu percebi que precisava voltar a ter um hábito, nem que pequeno, de ler. Felizmente está sendo tão bom quanto era quando eu resolvia ler um livro extra-escolar. E acabei formulando minha própria lista, sem metas.
Acho que quem ler isso vai estar pensando "que merda é isso? Ele começa com doors e vem falar de escola e leitura...", até porque era o que eu estava pensando (:. Aí eu reli a frase inicial e vi que acabei de confirmar o que eu mais achei bonito nela. O fato de alguém se expressar sem compromisso.
Um pouco antes de ver que precisava voltar a ler, eu comecei a escrever. Comecei a achar muito importante o que passa pela minha cabeça (talvez não haja ninguém que ache mais importante do que eu!), mas ao mesmo tempo sou muito despreocupado com essa formalidade de memorizar tudo, lembrar de tudo bem direitinho. Então vi que devia escrever. Escrever descompromissado as 1001 idiotices e absurdos que passam por aqui. E acabei vendo que é o que me faz tirar o foco de uma idiotice e passar para a próxima.
Aí alguém pode perguntar: "E pra que tu resolveu começar a colocar essa merda toda na internet?". É que eu fico pensando... o povo vê tanta merda por aí e consegue conviver com ela. Tem uns que comem, outros assistem, outros ouvem (acho que faço isso de vez em quando também)(2) e ainda fazem isso rindo. Foi aí que percebi que uma a mais não iria fazer tanta diferença. E, além do mais, isso faz tanto sentido pra mim. É meu. Essa merda toda é minha. E eu nem ligo em dizer isso.

(1)Não sei porque esse título. Acho que falei tanto em merda que fiquei com a música na cabeça.
(2)Eu ainda não sei se o que eu acho pior é: engolir merda sem ter ideia de que é merda, sentir o cheiro e não querer abrir os olhos só pra não confirmar e, assim, continuar engolindo, escutar lá longe alguém dizer e não querer acreditar que está se sujando tanto, ou sé é ver os outros comendo. Acho que o melhor é gritar "eu sou isso tudo que vocês não gostam e, talvez, temem saber como é".

3 comentários:

  1. Acho que meu hábito de leitura me foi encucado bem cedo. Desde guria que isso foi incentivado aqui em casa! De qualquer forma, concordo que a maneira como as escolas normalmente tentam estimular o hábito de leitura é desastroso e não ajuda em muita coisa. Quanto a falta de compromisso eu sou meio metódida, sempre faço uma lista dos livros que acho que preciso ler ou comprar e sempre tento seguir minha lista, sem me exigir que seja muito a risca, mas acabo tentando sempre honestamente isso.
    E quanto mais o cara ler, mais sente vontade de escrever sim! Nada mais instigante e inspirador pra escrever do que terminar um livro massa!

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  2. essa tal metodologia insana sobre a qual eu não ligo, não participo e não aceito. preciso, mas é não. apenas.
    acho que o melhor mesmo a se fazer é se perguntar se faz sentido pra você mesmo, se sim, então tudo está bem.
    escreva sobre o que você gosta, eu quero ler algo assim. mas calma, não é um compromisso, se expresse sem compromisso. eu esperarei.

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  3. É preciso certa dose de coragem quando se decide deixar os sentimentos à mostra, mas tb não há coisa que mais alivia...faz anos que escrevo em blog e faço disso minha terapia gratuita. Vc é corajoso denis!

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