Para quem não sabe, eu vim estudar na Suécia, numa cidade chamada Västerås (se pronuncia vestéroas) pelo programa brasileiro Ciência sem Fronteiras. Estou estudando o primeiro ano de um programa de mestrado, “Sistemas Embarcados Inteligentes”, mesmo sem ter terminado a graduação (Deus definitivamente escreve meu destino com linhas tortas haha). Eu sai do Brasil meio sem tempo de me despedir das pessoas porque ainda estava muito ocupado na universidade até o último dia, mas enfim aqui estou.
Sai do Brasil por Recife no dia 13 de Agosto, fazendo escala em Frankfurt e chegando em Estocolmo no dia 14/08. No dia seguinte peguei um voo pra Bruxelas na Bélgica (fiz isso porque o programa exigia que eu fosse diretamente pro país de destino) pra visitar Jolien, que fez intercâmbio em Campina Grande em 2007-2008 e ficou lá em casa por um ano. Bem, vou focar o post na Suécia, mas o que tenho a dizer é que a Bélgica é incrível, um país muito bonito mesmo; as fotos no facebook falam por si. Passei 12 dias na Bélgica e voei de volta para Estocolmo para em seguida pegar um ônibus para Västerås, que dura 1h e meia.
Do que tinha lido sobre a Suécia as características mais marcantes eram: igualdade de classes sociais, igualdade de gênero, ótimo sistema educacional e um país que é considerado sustentável e tecnológico. De fato a Suécia é isso tudo. Uma vez que minha decisão em relação ao país foi meio aleatória, eu li bastante sobre o país e ainda tem muitos detalhes culturais interessantes aqui.
Sobre a igualdade de classes sociais é perceptível que na cidade não existe pobreza, mas também não existe luxúria. A maioria das pessoas utilizam como meio de transporte ônibus ou bicicleta; o centro da cidade tem um movimento bem tranquilo de carros. Existem um ou outro mendigos, mas eles não dormem na rua porque o governo oferece abrigos, e também paga auxílios para quem não tem emprego, além de ajudar a achar um. Então é mais provável que o problema dessas pessoas seja com álcool ou drogas, ao invés de desemprego ou outros problemas sociais. Na rua também a maioria dos carros são bem normais, um ou outro de luxo. Num dos primeiros dias eu sai com uns brasileiros e uma suéca, Olívia, pra um café, e ela a gente falando sobre o Brasil eu disse que se ela quisesse visitar o Brasil deveria ter cuidado porque em alguns locais pode ser muito perigoso, e ela perguntou “Por que existe violência no Brasil? Vocês tem diferentes classes sociais?”. Por um momento foi como se alguém estivesse me perguntando uma pergunta retórica, e ao mesmo tempo eu tive a sensação de que por ser tão acostumado com a violência que existe no Brasil eu não sabia a resposta direito. Por que existe violência no Brasil? Respondi que sim, que no Brasil existe uma desigualdade social muito grande, e que apesar do Brasil ser um país que não é pobre, existem muitas pessoas pobres. Mais tarde o assunto violência veio a tona e comentei que minha opinião é que os problemas sociais brasileiros estão interligados e que um, como a má educação, resulta em outros como a violência. Então, por que o Brasil é violento? Fico a pensar que a gente não se preocupa com a educação pública, e muitos desses alunos acabam ficando muito tempo na rua, ao invés de estar aprendendo algo na escola; depois quando esse problema se transforma em violência ficamos tentando remediar a violência ao invés do problema que forma a violência.
Em relação a igualdade de gênero, aqui é comum banheiros unisex hahaha; é algo simples, mas ao mesmo tempo acaba surpreendendo. Em relação a características mais técnicas, homens e mulheres são educados da mesma forma, e são capazes de desempenhar as mesmas funções na sociedade. Na primeira viagem que fiz, Estocolmo para Västerås, o ônibus era dirigido por uma mulher, que por sinal deveria ter uns 45 anos. Por mais simples que isso seja, é algo tão incomum no Brasil que acaba chamando atenção. Outra situação que me chamou atenção foi no dia que fui ao IKEA (grande multinacional sueca que vende mobilia e artigos para casa em geral) quando Olívia, que me levou até lá, falou que o cheiro de madeira de uma colher de pau a fazia lembrar das aulas de carpintaria que ela tinha; mais tarde ela disse que uma vez tinha comprado uma o suporte e as pernas de uma mesa separados e depois pregado as partes. Fiquei supreso de saber que aqui eles aprendem carpintaria na escola, e que mulheres também tem aulas. Até hoje penso sobre isso, pois muitos alunos brasileiros questionam “do que isso vai me servir na vida?” sobre assuntos como números complexos ou genética. Também passei a me questionar mais o queremos que a escola ensine às crianças além de obediência e uma extra carga de assuntos.
Não falo muito no facebook, mas é porque tenho um pouco de vergonha haha. Mas no mais aqui na Suécia tem sido bem legal, tenho conhecido pessoas incríveis de todo o mundo. Tipo, é todo mundo normal, mas é muito engraçado como as pessoas, os hábitos e os costumes variam tanto. Ainda preciso colocar fotos e tal, mas ao mesmo tempo que já me sinto acostumado à cidade, sempre acabo achando coisas pra resolver ou estudar. Ainda tem muita coisa a falar sobre aqui, devagar vou escrevendo.
Um abraço para o Brasil. Amo esse país e vou tentar representar todos os brasileiros da melhor forma :))).
Assinar:
Postar comentários (Atom)

Concordo! Toda mulher era pra aprender a tratar uma galinha, fazer picado, tripa, um mocotó digno... Isso daí era pra ser ensinado desde cedo. kkkkkk
ResponderExcluir